Por que é tão difícil sermos tolerantes uns com os outros?
Por que é que a expressão de um ser humano me incomoda tanto?
Foi tentando responder a essa pergunta que compreendi a nobre virtude da tolerância. Do lado de cá, eu tenho certeza de que eu estou certo e o outro está errado. Mas, do lado de lá, essa pessoa pode estar pensando exatamente a mesma coisa que eu. E essa é a natureza do conflito.
A tolerância não é deixar o intolerante fazer o que quiser. Isso poderia abrir espaço para aceitar comportamentos que ferem os direitos humanos, a vida. Tolerância é aceitar que existem perspectivas diferentes, e a partir disso encontrar pontos que nos unem.
Nós apenas reconhecemos no outro aquilo que mora em nós mesmos, ou seja, não precisamos ter tolerância com aquilo que concordamos no outro ou com assuntos em que pensamos da mesma forma, mas a tolerância existe no diferente, na aceitação da opinião contrária à sua, e a partir desta tolerância, escolhermos o que fazer com isso e a partir disso.
Podemos aprender uns com os outros, acrescentar algum ponto de vista ou até mesmo mudar a forma como pensamos sobre determinada questão.
Estranho seria convivermos apenas com o que é igual, apenas com pessoas que nos aplaudem e nos elogiam. A contradição é uma forma de crescimento, amadurecimento e fortalecimento de cada indivíduo, em sua própria jornada de vida.
A gestão de conflito dá-se exatamente nesse lugar. No diferente, nos opostos, nas contradições que, à primeira vista, podem parecer completamente inviáveis de se equilibrar ou equalizar. Mas, o mediador profissional, que é isento e preparado para tanto, vislumbra os próximos passos, a fim de que haja convergência, equilíbrio e para que toda a beligerância inicial seja amparada pelos interesses a serem aproximados, a partir da diminuição da emocionalidade atrelada ao conflito e também pelo distanciamento pessoal da questão, ou seja, tirar-se do centro da problemática e ter a capacidade de ampliar a visão de toda a questão, a partir de um olhar ampliado e distanciado de qualquer personificação.
Esse trabalho complexo e profundo é desenvolvido em um procedimento desenvolvido de forma personalizada, pela duração necessária para cada um e, por fim, com encontro das partes para a composição e desenho do melhor acordo para todos.
É somente na empatia e no entendimento do outro que um caminho de paz pode acontecer.