Será que isso existe mesmo?
Seria só uma ilusão da nossa mente?
Poderíamos dizer que o equilíbrio ocorre quando olhamos para as nossas emoções sem um ideal permanente de serenidade?
Afinal, se somos serem mutáveis e resilientes, por que haveríamos de buscar tal equilíbrio?
Já reparou como é assim também em uma porção de situações da nossa vida?
Em tantos momentos, parecemos caminhar por uma espécie de meio fio invisível e nos vemos diante da tentativa de equilibrarmos nossas emoções, para não escorregarmos nem seguirmos tortos pela estrada das nossas decisões.
Encontrar essa dosagem entre sentir e viver a realidade talvez seja um de nossos maiores desafios, uma vez que não existe um ponto comum onde todas as coisas se resolvem de uma forma igual e constante, como em um passe de mágica.
O que nos cabe é, a partir dos aprendizados sobre nós mesmos, adquiridos ao longo da vida, ponderar o essencial e perceber onde é necessário investir a nossa energia em vez de tentar resolver tudo de uma vez e ao mesmo tempo. E, só então, seguir com mais harmonia. O que eu entendo por equilíbrio é a gente conseguir ter uma escuta das nossas necessidades e ir encontrando formas de manejá-las, de responder a elas. Ou de lidar com as frustrações e com as dificuldades de, em algum momento, não ter essas respostas por questões que a realidade nos impõe. Esse equilíbrio é algo dinâmico. Ou seja: ele está em movimento, não é uma coisa estática e constante a ponto de conseguirmos permanecer nele por um longo espaço de tempo.
Abrir um canal de escuta com aquilo que a gente sente é o primeiro passo para trazer mais equilíbrio para nossas emoções.
No fundo, nossa expectativa pelo encontro desse lugar de constância nos leva à frustração diante de todas as impermanências e, dessa forma, ficamos chateados com nós próprios.
A percepção de que o equilíbrio possui esse dinamismo, e, assim como os altos e baixos da nossa vida, vai sempre nos acompanhar, existem também novas necessidades surgindo o tempo todo para nos ensinar a lidar melhor com nossas expectativas. Afinal, nada dura para sempre: nem mesmo a estabilidade que experimentamos em algumas situações. Se a gente fica focada em quem a gente deveria ser, no que a gente deveria fazer, em todas as coisas que deveria conquistar, realizar e mudar, vai sempre ficar distante de quem a gente realmente é no aqui e agora, no momento presente.
Ao estarmos bem com nós mesmos, sem essas cobranças sobre ter ou não uma vida completamente estável, percebemos que as influências externas não nos contagiam mais, pois nos aproximamos de nossos sentidos sem comparações, disfarces ou boicotes. E aí, temos então, uma capacidade maior e mais lúcida de tomar decisões acertadas. Em sintonia com nosso propósito e também com nosso coração.
A questão é: não se apegar àquilo que está sendo sentido, seja um sentimento positivo ou negativo. Deixar fluir: entender o que isso diz sobre nós mesmos. Dessa forma, você encontra esse equilíbrio eternamente fluido e dinâmico.
Entender que nossos sentimentos estão sempre nesse fluxo de mudança nos ajuda a compreender o outro de uma forma igual, sem conceitos preestabelecidos ou pensamentos criados apenas por nossa cabeça. Uma relação equilibrada está sempre em movimento. E as emoções também são essa energia constante em ação.
A partir dessas reflexões simples, percebemos o quanto tudo está interligado em nossa estrada e aprendemos também a abraçar com gentileza aquilo que sentimos, nos abrindo para a percepção do outro enquanto parte essencial do nosso ciclo de convivências.
Ao encontrarmos um estado onde somos capazes de fazer mais nos esforçando menos, tendemos a viver com menos estresse e dores de cabeça, apenas pelo fato de assumirmos nossas vontades dentro de nossas possibilidades.
Podemos desenvolver a capacidade de acolher os sentimentos bons e ruins, entendendo que todos vão passar.