Existem muitas dúvidas sobre separação e como fazer o divórcio.
A resposta básica é que o divórcio pode ser feito de forma amigável ou litigiosa. Vamos explorar neste texto estas alternativas.
Geralmente, quando pensamos em um divórcio litigioso, pensamos em briga, conflito e não conseguimos pensar em uma outra saída que não seja a de recorrer ao Poder Judiciário, em busca de uma sentença, que imponha uma solução. Mas será que é isso mesmo que desejamos? Será que essa sentença vai nos satisfazer?
A resposta é: não espere que uma decisão de um terceiro imparcial, que não conhece as partes nem suas necessidades, vai corresponder às suas expectativas, vai lhe trazer uma solução pronta e satisfatória!
Por outro lado, quando pensamos naquela família perfeita e que se faz perfeita ainda no momento do divórcio, ficamos imaginando que, mesmo nas piores circunstâncias, as pessoas conseguem sentar, conversar e se resolver, E daí vem uma invejinha desse modelo ideal de família que, definitivamente, nunca precisaria da Justiça para se divorciar.
Isso de fato existe? Sim, mas é bastante raro.
O que muitas vezes constatamos, no nosso dia a dia, é que, por mais harmoniosa que seja uma família, quando chega o momento do divórcio, as coisas mudam de figura. E, acredite, nem sempre quem briga vai para a Justiça e nem sempre quem está conseguindo dialogar vai para o amigável.
Nem tudo é tão exato assim, como dois e dois são quatro. O certo é que, se algumas vezes existe briga no divórcio amigável, nunca existe paz para aqueles que partem para o litigioso.
Por isso, sempre aconselhamos que as pessoas se esforcem ao máximo para que seu divórcio seja feito de forma amigável, ainda que tenha deixado de existir a relação pacífica entre os divorciandos.
Aliás, a exceção das exceções é nos depararmos com casais que se divorciam de forma absolutamente serena, tranquila, sem sobressaltos. Afinal, como são muitos os interesses, os desejos e as angústias, a construção de um acordo acaba se tornando uma tarefa complexa e, em alguns momentos, as coisas podem sair do controle.
O que muita gente não sabe é que, apesar das brigas, desentendimentos e discordâncias, o divórcio pode sim ser feito de uma forma amigável. O embate, os pensamentos antagônicos e os interesses conflitantes podem e devem ser resolvidos da forma menos litigiosa possível, com menos sofrimento para todos.
Como fazer o divórcio com mediação?
O trabalho do mediador consiste em reduzir essa beligerância e diminuir essa carga emocional, para então se aprofundar no conhecimento das questões individuais, equalizá-las e, a partir daí, iniciar uma comunicação construtiva, conjunta.
Faz parte do processo da mediação essa etapa mais “litigiosa”, por assim dizer. Não esperamos que ela não exista, não almejamos clientes calmos e tranquilos para se divorciarem, até porque, o divórcio é doloroso e pode se tornar complexo. Eu costumo dizer que, só quem já passou por isso e sentiu na pele, pode saber o quão desgastante esse processo pode se tornar, quando não é solucionado no seu devido tempo.
É essencial compreender que a briga, o desentendimento e a sensação de que não há possibilidade de diálogo, tudo isso faz parte do jogo, e os mediadores estão preparados para lidar com isso. Basta que as partes, voluntariamente, assumam o compromisso de colaborar com o procedimento, dediquem-se a ele de corpo e alma, abram mão de meras posições e se concentrem no que de fato lhes interessa.
E tenha a certeza de que, por mais que envolva pontos de litígio, o divórcio amigável sempre representa um grande ganho, o maior de todos: a preservação da paz interior, não apenas sua, mas de toda a família, que não sairá destruída, apenas viverá num novo formato.