A relação pais e filhos é para sempre

Por Cassia Hachimoto

Todos nós concordamos que ser pai e mãe é maravilhoso e também exige muito amor, dedicação, esforço e paciência o tempo todo.

Mesmo com o fim do relacionamento, você e seu/sua ex continuam conectados por meio de seus filhos e, portanto, apesar de suas diferenças, devem se esforçar muito para continuar sendo parceiros ao menos no exercício dessa paternidade e lidar com os conflitos de forma saudável, ainda que tenha que procurar a ajuda de terceiros.

Essa parceria é essencial para que seus filhos se desenvolvam de forma saudável, física e emocionalmente, conseguindo superar a fase difícil que enfrentam quando os pais se divorciam.

Afinal, todas as mudanças de humor dos pais, de comportamento, de padrão de vida, tudo isso tem grande impacto na vida dos pequenos.

Infelizmente, o que vejo no dia a dia das Varas de Família são casais arrastando os seus filhos para os seus conflitos.

Tentando me colocar no lugar do pai/mãe alienador, até consigo entender a dificuldade de enfrentar o fim de seu casamento e ainda poupar os filhos de toda essa dor. Muitas perguntas passam pela cabeça dos divorciandos nessa hora, como, por exemplo:

– Como vou conseguir compartilhar a guarda e o convívio dos meus filhos com aquela pessoa que me traiu, que traiu os sonhos de uma vida inteira que construímos juntos?

– Como vou confiar que ele/ela não vai despejar nos meus filhos toda a raiva que está sentindo de mim?

Para refletir

Você está permitindo que seu divórcio não resolvido o transforme em um alienador?

É importante que os pais percebam que toda a raiva e frustração pelo fim do casamento devem ser resolvidas na esfera dos adultos.

Embora bem intencionados, pais e mães acabam prejudicando os filhos ao não poupá-los dos conflitos.

O impacto do divórcio na vida dos filhos

O divórcio abala não apenas os adultos; atinge também as crianças e os adolescentes, diante das grandes mudanças que representa na rotina familiar, como:

– perda ou redução de disponibilidade de um dos pais;

– queda no padrão de vida;

– mudanças de residência, escola, vizinhança e amizades;

– o novo casamento de um dos pais, ou dos dois pais, e o ajustamento aos novos membros da família.

Sintomas de que seus filhos estão sofrendo as consequências:

– Insegurança nas relações interpessoais
– Distúrbios de atenção
– Problemas no sono e na alimentação
– Sentimento de culpa
– Doenças psicossomáticas

O que você pode fazer para ajudar seus filhos :

Há três atitudes importantes que você pode tomar para auxiliar seus filhos:

1. Cuidar de você mesmo para poder cuidar adequadamente de seu filho e ser um modelo de conduta para ele;

2. Manter um ótimo relacionamento com seus filhos e proporcionar momentos leves, dedicando-lhes cuidados apropriados de acordo com a idade;

3. Comunicar-se bem com seu/sua ex e manter a respeito dos filhos, mantendo-os fora dos conflitos e discórdias.

Mantenha o seu foco

Se você está sentindo raiva intensa de seu/sua ex, medo, tristeza, vergonha ou culpa, encontre um profissional para ajudá-lo a trabalhar esses sentimentos.

Também não hesite em procurar ajuda se você não estiver conseguindo separar a sua relação conjugal fracassada da sua relação parental, que é para a vida inteira, e que – mesmo nos momentos difíceis – pode e deve ser saudável e feliz.

Esse artigo foi inspirado no meu trabalho voluntário na Oficina de Pais e Mães, promovida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, para auxiliar pais e filhos a enfrentar as consequências do divórcio e reduzir traumas decorrentes das mudanças das relações familiares. O CNJ disponibiliza a oficina online. Para participar, basta se inscrever pelo link clicando aqui.

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