Você já parou para pensar que não precisa esperar esta época do ano para dar ao seu filho o presente que ele mais deseja?
Quando nossos filhos se concentram para escrever as cartinhas com seus pedidos ao Papai Noel, nunca nos passa pela cabeça que os pequenos podem nos surpreender, pedindo algo tão simples e importante, e que não encontraremos nas vitrines das lojas, certo?
Aliás, mergulhados nos afazeres diários, nós, adultos, poucas vezes nos detemos para analisar e perceber o que acontece ao nosso redor…
Pois o presente simples e importante, que não achamos para comprar nas lojas, é o carinho, a atenção que nossos filhos esperam de cada um de nós. Tão singelo e ao mesmo tempo tão fundamental é esse afeto! Para sua formação, para seu amadurecimento emocional, para a sua felicidade.
Uma pesquisa encomendada pela marca sueca Ikea, há alguns anos, acabou chamando a atenção para um dado bastante curioso: apesar do mar de brinquedos que é lançado no mercado todos os anos para atrair crianças de todas as idades, e do forte apelo midiático para a data, o que elas mais desejam, como presente de Natal é o afeto dos pais.
“A outra carta”. Foi este o título da campanha do Ikea veiculada na Espanha em 2014, que reuniu algumas famílias para participar de uma experiência que pretendia descobrir o que as crianças gostavam de receber no Natal. As crianças que participaram tinham entre 4 e 9 anos e lhes foi pedido que escrevessem uma carta aos três Reis Magos (são os Reis Magos que trazem os presentes na Europa), a quem pediram um grande número de brinquedos.
Depois tinham de escrever uma segunda carta, esta dirigida aos pais, na qual também deviam escrever aquilo que gostariam de ganhar deles.
As respostas surpreenderam os pais:
As crianças pediram mais tempo com os pais, mais carinho, mais cócegas, mais tempo para brincar, para jogar futebol ou mesmo brincar de cowboy.
Quando questionados sobre a possibilidade de enviarem apenas uma carta, aos Reis Magos ou aos pais, as crianças também não tiveram dúvidas em responder que escolheriam mandar para seus pais.
A campanha relembra a importância de os pais passarem mais tempo de qualidade com os filhos, mostrando que, afinal de contas, os desejos materiais não são assim tão relevantes para os pequenos, que só querem estar perto de alguém que lhes dê atenção.
O presente mais desejado requer dedicação o ano inteiro e não somente neste período festivo e propenso ao convívio familiar. Porém, infelizmente, é só nesta época que percebemos que o cálculo do afeto distribuído em nossas casas pode estar com o saldo mais negativo do que o da conta bancária.
Os pequenos sentem essa necessidade todos os dias do ano, porém a impressão que dá, muitas vezes, é a de que apenas nos lembramos disso neste período de confraternização e de “cartinhas ao Papai Noel”.
Poderíamos aproveitar essa época do ano para refletirmos sobre a nossa balança emocional em casa, e nos questionarmos quanto tempo faz que não fazemos um programinha especial com os pequenos, como ir ao cinema, tomar o seu sorvete favorito, ir ao parquinho brincar, montar quebra-cabeças ou simplesmente fazer pipoca e se esparramar no sofá para rever aquele desenho favorito.
O ideal é que não exista a necessidade de uma data propícia ou festiva para esses momentos acontecerem, pois, mais dia menos dia, a conta chegará, e esta conta é mais difícil de equilibrar e de pagar do que a da loja de brinquedos, já que os juros são altos… e essa dívida não tem perdão!