Depoimento

Por Paula Zogbi

Casar é bastante trabalhoso. Porém, há um enorme prazer em planejar cada detalhe que irá simbolizar a união. Planejamos passo a passo. O mesmo já não acontece no momento da separação. Claro que ninguém está preparado para o fim de uma relação, para viver outros formatos e estruturas familiares, pois, – quando há filhos-, elas coexistem. Lembro bem, mesmo estando muito feliz e entusiasmada, o quanto profissionais bem-preparados foram fundamentais para que cada passo de nossos planos obtivesse êxito! Eu estava radiante e, mesmo assim, as emoções não me deixavam ver com nitidez tudo o que tinha que providenciar para a celebração. Foi exatamente o que aconteceu comigo quando, o que deu certo por um bom tempo, chegou ao fim. Havia conquistado o sonho de construir uma família, bens em comum, como muitos casais. Mas, o que fazer diante de um momento difícil, com emoções à flor da pele, sem condições reais de fazer a razão prevalecer? Qual o primeiro passo? Quem vai ficar com os filhos? E como eles ficarão? Em que condições? E os bens em comum? Como se dará a divisão mais justa e equilibrada?

Apesar de ter casado e depois enfrentado um divórcio, eu tive muita sorte nos dois momentos. Porque no término eu também tive ótimos profissionais que fizeram o planejamento e a mediação entre mim e meu ex.

Eles atuaram na parte prática, elucidando nossas mentes para tomarmos as atitudes mais saudáveis e favoráveis para todos os envolvidos, incluindo, no meu caso, filho e nosso cãozinho. Mas nada disso teria sido possível se não tivessem também um arsenal de recursos para estabelecer as mínimas condições emocionais. Na verdade, estávamos um caco. Ao contrário do engajamento para nos unir, estávamos prostrados, com total falta de energia e consciência para nos separar.

Tudo isso pode ser feito em questão de horas sem a necessidade de mover uma ação judicial. Ainda podemos homologar junto ao juiz ou fazer um registro em cartório para que o título tenha validade de execução.

Eu desconhecia a Mediação e tudo o que ela podia fazer para um divórcio mais salutar e coerente, a fim de sabermos como e em que momento agir e tomar decisões.

Dei a grande sorte de uma amiga, que conhecia esse novo caminho de se divorciar, ter me indicado e me mostrado como, apesar de ser um divórcio, não era preciso tanto sofrimento, nem brigas e atitudes equivocadas e desnecessárias que minam nossa energia e não nos permitem agir sob a luz da razão. Sim, assim como planejei o início, a Mediação me ajudou…ou melhor, nos ajudou a planejar o fim. Frisei “nos ajudou”; justamente porque divórcio também ė uma atitude em conjunto, ainda que seja para separar os corpos, mas, eu reafirmo, com muito menos dor e desgaste para todas as partes.

Paula Zogbi

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