Outro dia, numa festinha infantil, entre balões coloridos e muita agitação, um jovem papai veio me fazer essa pergunta, assim do nada, do jeito que sempre acontece com médicos e advogados nessas ocasiões.
A impressão que dá é que às vezes as pessoas estão de tal forma envolvidas com um determinado problema pessoal que não conseguem deixar de falar no assunto, esperando que de algum lugar venha a solução mágica, para aliviar aquela dor.
Por isso mesmo, da parte do profissional abordado, não basta ter a vontade de ajudar. Há que se ter muito cuidado antes de dar qualquer resposta, que pode piorar ainda mais. Todo mundo sabe que o divórcio envolve vários aspectos que representam dúvida e sofrimento para quem está vivendo esse momento.
É essencial que haja todo um planejamento sobre como dar a notícia aos filhos e aos familiares. É preciso que a decisão já esteja amadurecida, que haja um consenso sobre a melhor modalidade de guarda, um regime de visitas que garanta o convívio amplo e saudável, além – é claro – da definição da responsabilidade pelo sustento, pela saúde e pelo bem-estar da criança.
Por certo, bem orientado, esse pai saberá deixar claro à criança que, se o amor entre o papai e a mamãe acabou, o amor dele pela criança continua o mesmo e nunca vai mudar. É importante que a criança sinta isso e, também, que ela saiba que não tem qualquer culpa pela separação (ninguém tem!).
É preciso que se diga – e repita – que o divórcio representa o fim do casamento mas jamais o fim da família, que apenas assumirá um novo formato a partir dele.
Embora não seja fácil para a criança se acostumar ao fato de passar a ter duas casas, e a não estar sempre com o papai e a mamãe juntos, é importante que todo pai saiba que, mais difícil do que essa mudança, é o filho viver cotidianamente dentro do conflito, presenciando brigas e discussões acaloradas.
O menino ou a menina de 4 anos estão em fase de formação de sua personalidade e o amor é essencial para que, no futuro, eles se tornem jovens calmos, seguros e felizes.
Quanto ao adulto, o melhor caminho será sempre o que desvia da briga e prestigia o bom diálogo e o entendimento.